quarta-feira, 29 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Viçosa (MG) sob os meus olhos
Tenho que voltar, mãe, acorde.
Voltar
para aquele lugar desconhecido que agora chamo de meu. A vida presente me
aguarda lá, acenando para mim, fingindo-se mãe, fingindo-se amiga, pedindo para
que eu volte depressa, pois ela quer continuar. A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Drummond.
Onde vive a poesia
Há poucos anos
atrás, li numa revista sobre a periferia, sobre a poesia, sobre a poesia na
periferia. A reportagem falava sobre saraus semanais que aconteciam em favelas paulistas.
Os moradores se reuniam, cantavam músicas e declamavam poemas de própria
autoria. Havia silêncio, respeito, brilho nos olhos, calor no corpo inteiro:
desejo de libertação através das palavras miúdas. Aquilo me impressionou
fortemente. Escrevi um conto. Conto pouco, fraco, capenga das pernas, coitado
(dele, só restou o título deste post, que era também o seu). Hoje, por um
formidável acaso, reencontrei a causa daquela minha forte impressão – mas não
vou me atrever a escrever de novo, um conto daqueles.
O poeta e idealizador
do projeto de construir literatura, ou desliteratura,
na periferia atende pelo nome de Sérgio Vaz, meu novo herói de carne e osso.
Ele fundou, há dez anos, o Cooperifa: o tal projeto, a luz no túnel
aparentemente infinito. Há outros saraus em periferias de São Paulo, ele não
está sozinho. Mas se tornou o ícone, uma das pessoas mais influentes do país, o
pai; ídolo que não quer ser ídolo: quer ser gente com pé no chão, livre para
voar; uma daquelas pessoas que “agem no mundo como centelhas”; gente que move
montanhas, ou morros...
A flor da poesia
nasceu no asfalto, furou a náusea, retardou o enjoo, e agora todos sentam no
meio da rua para observá-la de perto. A flor é feia. Mas é uma flor. E só quem
já leu alguma coisa um dia sabe o quanto essa plantinha minúscula – ou coceira
intrometida, ou amor desmedido – transforma, faz nascer o jardim inteiro. Emociono-me
mais uma vez por saber do Sérgio Vaz, apaixonado. Por saber dos filhos dele,
mais apaixonados ainda. Choro de felicidade por saber que há esperança para
esse país pouco, fraco, capenga das pernas, coitado. E que ela, a flor verde, está
na favela, dentro da gente. Gente linda, inteligente.
Blog do Sérgio
Vaz, do Cooperifa: http://www.colecionadordepedras1.blogspot.com.br/
terça-feira, 7 de agosto de 2012
1 filme
Sinopse:
Guiados pela paixão, os
personagens deste filme vão penetrando num universo feito de armadilhas e
vinganças, de desejos irrealizáveis, da busca incessante da felicidade. O
universo aqui é o da vida-satélite e dos tipos que giram em torno de órbitas
próprias, colorindo a vida de um amarelo hepático e pulsante. Não o amarelo do
embaçamento do dia-a-dia e do envelhecimento das coisas postas. Um
amarelo-manga, farto.
Trailer:
Fotos:
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