segunda-feira, 9 de março de 2026

O nome

 


Estão demolindo

o edifício em que não morei. 

Tinha um nome

somente meu.


Meu, de mais ninguém

o edifício

não era meu.


Rápido passando

por sua fachada,

lia o nome

que era e é meu.


Cai o teto,

ruem as paredes

internas.

Continua o nome

vibrando entre janelas

buracos.


Sigo a destruição

de meu edifício. 

Amanhã o nome

letra por letra

se desletrará.


Ficará em mim

o nome que é meu?

Ficarei

para preservá-lo?


Amanhã o galo

cantará o fim

do que no edifício

e numa pessoa

cabe em um nome

e é mais do que nome?


(Carlos Drummond de Andrade, As impurezas do branco, 1973)

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