Estão demolindo
o edifício em que não morei.
Tinha um nome
somente meu.
Meu, de mais ninguém
o edifício
não era meu.
Rápido passando
por sua fachada,
lia o nome
que era e é meu.
Cai o teto,
ruem as paredes
internas.
Continua o nome
vibrando entre janelas
buracos.
Sigo a destruição
de meu edifício.
Amanhã o nome
letra por letra
se desletrará.
Ficará em mim
o nome que é meu?
Ficarei
para preservá-lo?
Amanhã o galo
cantará o fim
do que no edifício
e numa pessoa
cabe em um nome
e é mais do que nome?
(Carlos Drummond de Andrade, As impurezas do branco, 1973)

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