Saiu um poema inédito na Revista Mormaço de abril.
Neste ano, tenho atravessado lugares ausentes, tenho frequentado lugares que ainda vão existir.
Não sei bem o que está por vir.
Para ler o poema, clique aqui.
Saiu um poema inédito na Revista Mormaço de abril.
Neste ano, tenho atravessado lugares ausentes, tenho frequentado lugares que ainda vão existir.
Não sei bem o que está por vir.
Para ler o poema, clique aqui.
"Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.
Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento. Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.
Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas - senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E - de repente - floresta.
Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. [...]
Assim era Eremita."
(Clarice Lispector, A criada,
em "Felicidade clandestina")
💙 Saiu minha primeira tradução 💙
Encontrei este poema do Damián Ríos numa livraria em Buenos Aires. Não conhecia o autor, não conhecia o livro, mas me atraiu, primeiramente, o fato do Damián ter rios em seu sobrenome. Depois veio o resto. Mas "como escrevo de memória/ não posso dar muitos detalhes".
Para ler, clique aqui.
O arquipélago de Tuvalu, no oceano Pacífico, vai desaparecer dentro de 50 a 80 anos devido ao aquecimento global antropogênico. Hoje a Austrália assinou um acordo bilateral de refugiar toda a população desse país ao longo dos próximos anos. 280 pessoas se refugiarão por ano até que o conjunto de ilhas esteja, finalmente, pronto para o fim. Como saída possível, Tuvalu planeja reconstruir o país no metaverso, tornando-se a primeira nação digital do mundo.
"Pescador invisível", um sonho que escrevi, acaba de ser publicado no Portal Aboio. Nele, só depois percebi, coube tudo que eu mais amo.
"Hoje eu queria apenas abrir um álbum antigo de fotografias, onde não houvesse gente de olhos duros e mãos aduncas. Onde umas boas senhoras pousassem no papel com delicadeza, não para sobreviverem eternamente, mas para mandarem seus retratos às amigas com finas letras de 'sincera afeição'. Um álbum onde aparecessem uns bons velhotes que não faziam negociatas, que não sabiam multiplicar dinheiro, que usavam roupas desajeitadas, sofriam de reumatismo, liam Virgílio e Horácio, e não tinham medo dos fantasmas do porão. De lá de dentro de seus retratos essas sombras estariam dizendo: 'Meus filhos, nada disso vale a pena...' (E saberíamos que falavam de parentes sôfregos, ávidos de partilhas, uns querendo herdar as terras do morro; outros, a mata; outros, a várzea - todos vivendo já do testamento, antes mesmo da extrema-unção...) Hoje eu queria ficar folheando este álbum, onde não desejaria encontrar aqueles herdeiros.
Hoje eu queria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações...